<?xml version="1.0" encoding="utf-8" standalone="yes"?><rss version="2.0" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"><channel><title>Investimentos | Elizeu Maniçoba</title><link>https://elizeumanicoba.com.br/tags/investimentos/</link><atom:link href="https://elizeumanicoba.com.br/tags/investimentos/index.xml" rel="self" type="application/rss+xml"/><description>Investimentos</description><generator>HugoBlox Kit (https://hugoblox.com)</generator><language>pt-BR</language><lastBuildDate>Tue, 13 Oct 2026 00:00:00 +0000</lastBuildDate><image><url>https://elizeumanicoba.com.br/media/logo.svg</url><title>Investimentos</title><link>https://elizeumanicoba.com.br/tags/investimentos/</link></image><item><title>Correlação −1: o que ela realmente significa na diversificação</title><link>https://elizeumanicoba.com.br/blog/correlacao-menos-um/</link><pubDate>Tue, 13 Oct 2026 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://elizeumanicoba.com.br/blog/correlacao-menos-um/</guid><description>&lt;p&gt;Dois ativos com correlação −1 não precisam ter retornos de sinais opostos, e nem sempre eliminam o risco da carteira. O que eles têm de oposto são os desvios em relação à própria média, e é isso que a diversificação aproveita.&lt;/p&gt;
&lt;figure&gt;&lt;img src="https://elizeumanicoba.com.br/blog/correlacao-menos-um/featured.jpg"
alt="Telas de cotações de índices de ações com gráficos em vermelho e verde"&gt;&lt;figcaption&gt;
&lt;p&gt;Imagem ilustrativa.&lt;/p&gt;
&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt;Neste texto, com números simples e dados do livro &lt;em&gt;Asset Allocation&lt;/em&gt;, de Roger Gibson, você vai ver:&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;o que a correlação mede de verdade, e o que ela não mede;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;por que dois ativos podem ganhar dinheiro em todos os períodos e ainda assim ter correlação −1;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;por que a correlação −1, sozinha, não zera o risco: o tamanho das oscilações e os pesos da carteira também contam;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;por que risco zero não é o mesmo que bom resultado;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;o que sobra dessa teoria no mundo real, onde a correlação perfeita não existe.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;Vamos começar por um resultado que parece mágica. No exemplo de Gibson, dois investimentos rendem 10% ao ano em média, mas oscilam entre +40% e −20%. Sozinhos, cada um acumula só 5,83% ao ano. Combinados em partes iguais, rendem 10% ao ano, todos os anos, sem oscilar.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id="o-exemplo-de-gibson-dois-ativos-instáveis-uma-carteira-estável"&gt;O exemplo de Gibson: dois ativos instáveis, uma carteira estável&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Quando dois ativos têm a mesma volatilidade e se movem em sentidos opostos de forma perfeita, a oscilação de um compensa a do outro, e a carteira 50/50 rende a média dos dois, sem sustos. Gibson (2008) mostra isso com dois ativos hipotéticos, C e D.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O ativo C rende +40% em um ano e −20% no seguinte, e repete o ciclo. O ativo D faz o contrário: cai 20% quando C sobe 40%, e sobe 40% quando C cai 20%. A carteira investe metade em cada um e volta a 50/50 todo ano.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Dois termos aparecem na tabela. &lt;em&gt;Volatilidade&lt;/em&gt; é o tamanho das oscilações dos retornos, medido pelo desvio padrão. &lt;em&gt;Retorno composto&lt;/em&gt; é a taxa anual constante que reproduz o crescimento real do dinheiro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Tabela 1 – Retorno médio, volatilidade e retorno composto dos ativos C e D e da carteira 50/50&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;table&gt;
&lt;thead&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;th&gt;Investimento&lt;/th&gt;
&lt;th&gt;Retorno médio ao ano&lt;/th&gt;
&lt;th&gt;Volatilidade (desvio padrão)&lt;/th&gt;
&lt;th&gt;Retorno composto ao ano&lt;/th&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;/thead&gt;
&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;Ativo C (+40% / −20%)&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;10%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;31,62%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;5,83%&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;Ativo D (−20% / +40%)&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;10%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;31,62%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;5,83%&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;Carteira 50/50&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;10%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;0%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;10%&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;
&lt;/table&gt;
&lt;p&gt;&lt;small&gt;Fonte: Gibson (2008), Exhibit 7.2, p. 131.&lt;/small&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Repare na distância entre os 10% de retorno médio e os 5,83% de retorno composto de cada ativo. Se R$ 1,00 sobe 40%, vira R$ 1,40; se depois cai 20%, vira R$ 1,12. Em dois anos o ganho foi de 12%, e não de 21%, que seria o resultado de 10% duas vezes seguidas. Gibson resume assim: a volatilidade prejudica a capitalização dos retornos (Gibson, 2008, p. 128).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A carteira não sofre esse desgaste, porque rende 10% todo ano. Em dez anos, R$ 1,00 vira R$ 2,59, contra R$ 1,76 em C ou em D sozinhos. Nesse caso, a diversificação não só reduziu o risco: ela aumentou o retorno que o investidor de fato recebe.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Figura 1 – Crescimento de R$ 1,00 investido nos ativos C e D e na carteira 50/50, em dez anos&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;figure&gt;&lt;img src="https://elizeumanicoba.com.br/blog/correlacao-menos-um/grafico-crescimento.png"
alt="Gráfico de linhas: o valor de R$ 1,00 investido oscila em zigue-zague nos ativos C e D e sobe de forma contínua na carteira 50/50, chegando a R$ 2,59 no ano 10, contra R$ 1,76 nos dois ativos."&gt;&lt;figcaption&gt;
&lt;p&gt;Fonte: elaboração própria, a partir dos retornos anuais de Gibson (2008), Exhibit 7.2, p. 131.&lt;/p&gt;
&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt;C e D só se encontram nos anos pares, e sempre abaixo da carteira. A partir do oitavo ano, a carteira fica à frente de ambos de forma permanente (Gibson, 2008, p. 130).&lt;/p&gt;
&lt;h2 id="correlação-mede-desvios-da-própria-média-não-o-sinal-do-retorno"&gt;Correlação mede desvios da própria média, não o sinal do retorno&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;A correlação não pergunta se o retorno foi positivo ou negativo. Ela pergunta se cada ativo ficou acima ou abaixo do seu próprio normal, e na mesma proporção.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pense em um vendedor de sorvete e em um de guarda-chuva. Cada um tem o seu faturamento normal. Em semana de sol, o sorvete vende acima do normal e o guarda-chuva, abaixo. Os dois podem ter lucro na semana e, ainda assim, se mover em espelho.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A correlação vai de −1 a +1. Em +1, os desvios têm sempre o mesmo sentido; em −1, são sempre opostos; perto de zero, um ativo não informa nada sobre o outro. Tecnicamente, é a covariância dividida pelo produto dos desvios padrão (Gibson, 2008, p. 134).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O exemplo a seguir é hipotético e tem correlação −1. Repare que A e B ganham dinheiro em todos os anos. O desvio é o retorno do ano menos a média do próprio ativo, em pontos percentuais (p.p.).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Tabela 2 – Exemplo hipotético com correlação −1: retornos, desvios e carteira 50/50&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;table&gt;
&lt;thead&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;th&gt;Ano&lt;/th&gt;
&lt;th&gt;Retorno de A&lt;/th&gt;
&lt;th&gt;Retorno de B&lt;/th&gt;
&lt;th&gt;Desvio de A (média 7%)&lt;/th&gt;
&lt;th&gt;Desvio de B (média 6%)&lt;/th&gt;
&lt;th&gt;Carteira 50/50&lt;/th&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;/thead&gt;
&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;1&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;9%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;4%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;+2 p.p.&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;−2 p.p.&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;6,5%&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;2&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;3%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;10%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;−4 p.p.&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;+4 p.p.&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;6,5%&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;3&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;6%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;7%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;−1 p.p.&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;+1 p.p.&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;6,5%&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;4&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;12%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;1%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;+5 p.p.&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;−5 p.p.&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;6,5%&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;5&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;5%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;8%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;−2 p.p.&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;+2 p.p.&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;6,5%&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;
&lt;/table&gt;
&lt;p&gt;&lt;small&gt;Fonte: exemplo hipotético elaborado para este texto.&lt;/small&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No ano 1, A rende 9% e B rende 4%: os dois ganham. Só que A ficou 2 p.p. acima da sua média (7%), enquanto B ficou 2 p.p. abaixo da sua (6%). Nos cinco anos, o desvio de B é exatamente o de A com o sinal trocado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os estatísticos medem esse desvio em unidades de volatilidade, o chamado &lt;em&gt;Z-score&lt;/em&gt;. No ano 1, o Z-score de A é +0,57 e o de B é −0,57. Com correlação −1, o Z-score de B é sempre o de A com o sinal trocado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por isso a carteira 50/50 rende 6,5% todo ano: a soma dos dois retornos é sempre 13%. Quando um ativo passa da sua média, o outro fica aquém da dele na mesma medida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Correlação −1 não exige retornos de sinais opostos. Exige uma relação em linha reta e decrescente entre os desvios dos dois ativos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Figura 2 – Retornos anuais de A e de B (Tabela 2): correlação −1,00, com todos os pontos sobre a reta B = 13 − A&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;figure&gt;&lt;img src="https://elizeumanicoba.com.br/blog/correlacao-menos-um/grafico-dispersao.png"
alt="Gráfico de dispersão com cinco pontos alinhados sobre uma reta decrescente. As linhas tracejadas marcam as médias de A (7%) e de B (6%). Todos os pontos ficam nos quadrantes em que um ativo está acima da média e o outro, abaixo."&gt;&lt;figcaption&gt;
&lt;p&gt;Fonte: exemplo hipotético elaborado para este texto.&lt;/p&gt;
&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt;Com correlação +1, os pontos formariam uma reta crescente e cairiam nos outros dois quadrantes: os dois ativos acima da média juntos, ou abaixo dela juntos.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id="a-correlação-dá-a-direção-a-volatilidade-dá-o-tamanho"&gt;A correlação dá a direção; a volatilidade dá o tamanho&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Com correlação −1, o risco da carteira só zera se os pesos compensarem a diferença de volatilidade entre os ativos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No exemplo anterior, A e B tinham a mesma volatilidade, e o 50/50 bastou. E se um ativo oscilar o dobro do outro? A Tabela 3 mostra um caso com correlação −1 em que a volatilidade de B é metade da de A.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Tabela 3 – Exemplo hipotético com correlação −1 e volatilidades diferentes&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;table&gt;
&lt;thead&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;th&gt;Ano&lt;/th&gt;
&lt;th&gt;Retorno de A&lt;/th&gt;
&lt;th&gt;Retorno de B&lt;/th&gt;
&lt;th&gt;Carteira 50/50&lt;/th&gt;
&lt;th&gt;Carteira 1/3 A + 2/3 B&lt;/th&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;/thead&gt;
&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;1&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;20%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;2%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;11%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;8%&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;2&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;4%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;10%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;7%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;8%&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;3&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;16%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;4%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;10%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;8%&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;4&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;8%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;8%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;8%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;8%&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;&lt;strong&gt;Retorno médio&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;12%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;6%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;9%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;8%&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;&lt;strong&gt;Volatilidade&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;7,30 p.p.&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;3,65 p.p.&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;1,83 p.p.&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;0&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;
&lt;/table&gt;
&lt;p&gt;&lt;small&gt;Fonte: exemplo hipotético elaborado para este texto. Volatilidade = desvio padrão amostral (n − 1).&lt;/small&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A correlação é −1, mas o 50/50 ainda oscila 1,83 p.p. O espelho existe, só que A se mexe o dobro de B. Para compensar, A precisa entrar com metade do peso de B: 1/3 contra 2/3.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pense em uma gangorra, que equilibra quando peso × distância é igual dos dois lados. Na carteira, o equilíbrio vem quando peso × volatilidade é igual nos dois ativos: 1/3 × 7,30 = 2/3 × 3,65 = 2,43. O ativo mais agitado sempre recebe o menor peso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A regra geral, para dois ativos com correlação −1, é: &lt;strong&gt;peso de A = volatilidade de B ÷ (volatilidade de A + volatilidade de B)&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Tabela 4 – Pesos que zeram o risco, conforme a volatilidade de B em relação à de A&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;table&gt;
&lt;thead&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;th&gt;Volatilidade de B em relação à de A&lt;/th&gt;
&lt;th&gt;Peso em A&lt;/th&gt;
&lt;th&gt;Peso em B&lt;/th&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;/thead&gt;
&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;Metade&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;33,3%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;66,7%&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;Igual&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;50%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;50%&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;O dobro&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;66,7%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;33,3%&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;
&lt;/table&gt;
&lt;p&gt;Gibson (2008, p. 145–146) faz a mesma conta no apêndice, com um ativo de 18% de volatilidade e outro de 10%. Com correlação −1, cerca de 64% no ativo de 10% zera o risco, com retorno esperado de 8,7%.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id="risco-zero-não-é-o-mesmo-que-bom-resultado"&gt;Risco zero não é o mesmo que bom resultado&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Zerar a volatilidade não garante retorno bom: a carteira rende sempre a média ponderada dos retornos dos ativos, seja ela positiva ou negativa (Gibson, 2008, p. 134).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O exemplo da Tabela 5 tem correlação −1, volatilidade zero e prejuízo certo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Tabela 5 – Exemplo hipotético com correlação −1, risco zero e prejuízo certo&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;table&gt;
&lt;thead&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;th&gt;Ano&lt;/th&gt;
&lt;th&gt;Retorno de A&lt;/th&gt;
&lt;th&gt;Retorno de B&lt;/th&gt;
&lt;th&gt;Carteira 50/50&lt;/th&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;/thead&gt;
&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;1&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;−2%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;−6%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;−4%&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;2&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;−6%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;−2%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;−4%&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;3&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;−3%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;−5%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;−4%&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;4&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;−5%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;−3%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;−4%&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;
&lt;/table&gt;
&lt;p&gt;&lt;small&gt;Fonte: exemplo hipotético elaborado para este texto.&lt;/small&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A carteira perde exatamente 4% ao ano, sem nenhuma surpresa. A diversificação eliminou a oscilação, mas não criou retorno: ele continua vindo dos ativos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Zerar o risco também pode custar retorno. Na Tabela 3, o 50/50 teve retorno médio de 9% e a carteira de risco zero, 8%. A Tabela 6 mostra o que cada escolha entrega.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Tabela 6 – Carteira 50/50 e carteira de risco zero, lado a lado (exemplo da Tabela 3)&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;table&gt;
&lt;thead&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;th&gt;Carteira&lt;/th&gt;
&lt;th&gt;Retorno médio ao ano&lt;/th&gt;
&lt;th&gt;Retorno composto ao ano&lt;/th&gt;
&lt;th&gt;Volatilidade&lt;/th&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;/thead&gt;
&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;50/50&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;9%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;8,99%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;1,83 p.p.&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;1/3 A + 2/3 B&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;8%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;8,00%&lt;/td&gt;
&lt;td&gt;0&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;
&lt;/table&gt;
&lt;p&gt;&lt;small&gt;Fonte: exemplo hipotético elaborado para este texto.&lt;/small&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O investidor trocou 1 ponto percentual de retorno por risco zero. A troca entre risco e retorno não desaparece: para ganhar mais retorno, é preciso aceitar mais volatilidade (Gibson, 2008, p. 140).&lt;/p&gt;
&lt;h2 id="no-mundo-real-a-correlação-perfeita-não-existe"&gt;No mundo real, a correlação perfeita não existe&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Correlação −1 é um caso-limite: serve para entender o mecanismo, mas não aparece nos mercados. Gibson (2008, p. 130) observa que investimentos perfeitamente negativos não existem na prática e que, se existissem, ninguém compraria um título sem risco rendendo 4%.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Com dados de 1926 a 2005, as ações de grandes empresas dos EUA renderam 12,3% ao ano em média, com volatilidade de 20,2%. Os títulos corporativos de longo prazo renderam 6,2%, com volatilidade de 8,5%. A correlação entre os dois foi de +0,19 (Gibson, 2008, p. 135).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A Figura 3 mostra a volatilidade da carteira conforme a fatia em ações, para três correlações: +1 (nenhuma diversificação), +0,19 (o dado real) e −1 (o caso-limite).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Figura 3 – Volatilidade de uma carteira de ações e títulos, conforme a parcela em ações e a correlação&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;figure&gt;&lt;img src="https://elizeumanicoba.com.br/blog/correlacao-menos-um/grafico-volatilidade.png"
alt="Gráfico de linhas com a volatilidade da carteira em função da parcela em ações, para três correlações. Com correlação &amp;#43;1, a volatilidade sobe em linha reta de 8,5% a 20,2%. Com &amp;#43;0,19, a curva desce um pouco abaixo de 8,5% perto de 10% em ações e depois sobe. Com −1, forma um V que toca zero em cerca de 29,6% em ações."&gt;&lt;figcaption&gt;
&lt;p&gt;Fonte: curvas calculadas com a fórmula da variância de dois ativos, a partir dos dados de Gibson (2008), p. 135. Ponto marcado: valor publicado por Gibson (2008), p. 136.&lt;/p&gt;
&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt;Com +0,19, a curva fica abaixo da reta e o ponto mais baixo não é 100% em títulos. Segundo Gibson (2008, p. 136), a carteira de menor volatilidade tem 90,2% em títulos e 9,8% em ações. Sua volatilidade é de 8,3%, contra 8,5% só em títulos, e o retorno esperado é de 6,8%, mais de meio ponto acima.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Há outro uso do mesmo efeito: manter a volatilidade dos títulos e ganhar retorno. Com 19,2% em ações, a volatilidade continua em 8,5% e o retorno esperado sobe para 7,4%, 1,2 ponto acima do retorno dos títulos (Gibson, 2008, p. 136).&lt;/p&gt;
&lt;blockquote class="border-l-4 border-neutral-300 dark:border-neutral-600 pl-4 italic text-neutral-600 dark:text-neutral-400 my-6"&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Nota de verificação.&lt;/strong&gt; Recalculando com os dados arredondados do livro, a carteira de menor volatilidade tem cerca de 9,5% em ações, e não 9,8%. A diferença vem do arredondamento das entradas, e os valores de volatilidade (8,3%) e retorno (6,8%) coincidem com os publicados.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Se a correlação fosse −1, 29,6% em ações e 70,4% em títulos zerariam o risco, com retorno de 8,0%. Essa carteira não existe, e é por isso que a diversificação real é parcial.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A correlação também muda com o tempo. Em janelas móveis de cinco anos, ela variou de +0,62 a −0,28, e a diversificação é mais forte nos períodos de correlação negativa (Gibson, 2008, p. 138).&lt;/p&gt;
&lt;h2 id="o-que-levar-para-casa"&gt;O que levar para casa&lt;/h2&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Correlação −1 significa desvios opostos&lt;/strong&gt; em relação à média de cada ativo, e não retornos de sinais opostos. Dois ativos podem ganhar em todos os períodos e ter correlação −1.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;strong&gt;A correlação dá a direção; a volatilidade dá o tamanho.&lt;/strong&gt; Para zerar o risco, o peso de cada ativo deve ser inverso à sua volatilidade.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Risco zero não é o mesmo que bom resultado:&lt;/strong&gt; a carteira rende a média ponderada dos ativos, e zerar o risco pode custar retorno.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;strong&gt;No mundo real, a correlação perfeita não existe.&lt;/strong&gt; Entre ações e títulos ela foi de +0,19, e a redução de risco é parcial, mas útil.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Diversificar é mais do que não pôr todos os ovos na mesma cesta:&lt;/strong&gt; o que conta é como os ativos se comportam entre si (Gibson, 2008, p. 127).&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;h2 id="para-quem-quer-ir-além-a-matemática"&gt;Para quem quer ir além: a matemática&lt;/h2&gt;
&lt;figure&gt;&lt;img src="https://elizeumanicoba.com.br/blog/correlacao-menos-um/ilustracao-matematica.jpg"
alt="Gráfico em dente de serra com amplitude decrescente em uma página de livro, fotografado de perto"&gt;&lt;figcaption&gt;
&lt;p&gt;Imagem ilustrativa.&lt;/p&gt;
&lt;/figcaption&gt;
&lt;/figure&gt;
&lt;p&gt;A variância de uma carteira de dois ativos depende dos pesos, das volatilidades e da correlação:&lt;/p&gt;
$$\sigma_p^2 = w_A^2\sigma_A^2 + w_B^2\sigma_B^2 + 2\,w_A w_B\,\rho\,\sigma_A\sigma_B$$&lt;p&gt;Aqui, \(\sigma_p\) é a volatilidade da carteira, \(w_A\) e \(w_B\) são os pesos, \(\sigma_A\) e \(\sigma_B\) são as volatilidades dos ativos e \(\rho\) é a correlação. Com \(\rho = +1\), o resultado é \((w_A\sigma_A + w_B\sigma_B)^2\), a média ponderada das volatilidades: nenhuma diversificação. Com \(\rho = -1\), a expressão vira um quadrado perfeito:&lt;/p&gt;
$$\sigma_p = \left| w_A\sigma_A - w_B\sigma_B \right|$$&lt;p&gt;Isso zera quando \(w_A\sigma_A = w_B\sigma_B\). Como \(w_A + w_B = 1\), o peso que zera o risco é:&lt;/p&gt;
$$w_A = \frac{\sigma_B}{\sigma_A + \sigma_B}$$&lt;p&gt;Na Tabela 3, em que A oscila o dobro de B: \(w_A = 3{,}65 \div (7{,}30 + 3{,}65) = 1/3\).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Correlação −1 equivale a uma relação exata \(B = a - k \times A\), com \(k = \sigma_B \div \sigma_A\). Na Tabela 2 (A e B com a mesma volatilidade), \(B = 13 - A\) e \(k = 1\). Na Tabela 3 (A oscila o dobro de B), \(B = 12 - 0{,}5 \times A\) e \(k = 0{,}5\).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Z-score é \(Z = (\text{retorno} - \text{média}) \div \text{volatilidade}\). Dizer que a correlação é −1 equivale a dizer que \(Z_B = -Z_A\) em todos os períodos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os desvios padrão deste texto são amostrais, com denominador \(n - 1\), como no exemplo de Gibson. Com denominador \(n\), o desvio de 31,62% do exemplo de Gibson seria 30,00%, e o Z-score de A no ano 1 da Tabela 2 passaria de +0,57 para +0,63. A correlação e os pesos de risco mínimo não mudam.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A correlação mede apenas relações lineares, é estimada com dados do passado e muda com o tempo. Por isso, é um ponto de partida para construir carteiras, e não uma garantia. Essa estrutura de retorno esperado, volatilidade e correlação é a base da análise média-variância, proposta por Markowitz (1952).&lt;/p&gt;
&lt;h2 id="referências"&gt;Referências&lt;/h2&gt;
&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Gibson, R. C. (2008). &lt;em&gt;Asset allocation: balancing financial risk&lt;/em&gt; (4. ed.). McGraw-Hill. Capítulo 7, &amp;ldquo;Diversification: The Third Dimension&amp;rdquo;, p. 127–155. Origem do exemplo dos ativos C e D (Exhibit 7.2), dos dados de ações e títulos (p. 135–138) e do exemplo do apêndice (p. 145–146).&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Markowitz, H. (1952). Portfolio selection. &lt;em&gt;The Journal of Finance&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;7&lt;/em&gt;(1), 77–91. Referência de base da análise média-variância; nenhum número deste texto vem dele.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Sobre os números.&lt;/strong&gt; Os exemplos com os ativos A e B são hipotéticos e foram elaborados para este texto. Todos os números, inclusive os do exemplo de Gibson, foram recalculados em Python com desvio padrão amostral. As curvas da Figura 3 usam a fórmula da variância de uma carteira de dois ativos e os dados de Gibson (2008, p. 135).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Conteúdo educacional. Os exemplos são hipotéticos e não constituem recomendação de investimento. Rentabilidade passada não garante resultado futuro.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;aside class="veja-tambem" aria-labelledby="veja-tambem-5"&gt;
&lt;p class="veja-tambem__kicker"&gt;Veja também · Ensino&lt;/p&gt;
&lt;h2 id="veja-tambem-5"&gt;&lt;a href="https://elizeumanicoba.com.br/blog/media-nao-basta/"&gt;Por que a média não basta para entender os dados&lt;/a&gt;&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;O mesmo cuidado vale aqui: o retorno médio sozinho esconde a oscilação, e é a volatilidade que mostra o tamanho do risco.&lt;/p&gt;
&lt;/aside&gt;</description></item></channel></rss>